sábado, 8 de setembro de 2012

Sanguessuga...

Depois de ouvir o discurso, recordei de imediato um poema lido há muito.
Ei-lo:

"Suga sangue, sanguessuga
suga sangue, mata a sede,
que o sangue também te suga,
que o sangue também tem sede.

Vais inchando, sanguessuga,
com meu sangue? Que me importa?

Conheço-te, sanguessuga!
Suga sangue, suga, suga,
que amanhã tombarás morta!

Rebentarás, sanguessuga,
como um odre, de repente?
morrerei eu de anemia?
Melodramaticamente?

Não no sei. Mas, sanguessuga,
morreremos nesse dia,
nasceremos nesse dia,
num segundo, para sempre!".

António Luis Moita, "Batalha da Sanguessuga", 1962.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Relvas de 4 cadeiras...

Em qualquer país onde a democracia o fosse verdadeiramente, um tal de Relvas, "doutor" com quatro cadeiras feitas, ter-se-ia demitido de imediato, mal se soube o escândalo que envolveu a sua "licenciatura".
Não o fez, o que agrava a desconfiança com que o olham e acrescenta descrédito a uma, já de si, desprestigiante situação.
Mas há um Primeiro-Ministro, que lhe seguiu o exemplo, e fingiu que nada se passara, mantendo o sujeito no lugar que ocupa. Isto é, à pouca ou nenhuma vergonha do ministro, somou-se a desfaçatez e arrogância de Passos Coelho.
O Presidente da República calou-se, como habitualmente.
A maioria na Assembleia da República tratou de abafar o caso, limitando-lhe as devidas consequências.
E enquanto é diariamente ridicularizado e gozado, Relvas continua impávido, operacional, a gerir o que entende e o que mais lhe convém, a transferir amigos de empresas públicas para outras, como se nada tivesse acontecido.
Passos Coelho nada faz.
Mas talvez um dia pague bem caro este seu silêncio e inércia.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Que país é este, senhores?

O jogador Cristiano Ronaldo afirma-se "triste".
E o país imobiliza-se.
A imprensa quer saber as razões da "tristeza", preocupada e alarmada. Repentinamente, o pânico instala-se, receia-se o pior, interrogam-se as consciências e o comum cidadão não sabe mesmo se contribuiu, de alguma forma, para o estado de ânimo do homem que corre e dá pontapés na bola.
Portugal treme.
"Que se passa?", pergunta o 

anónimo, sem que o outro anónimo saiba responder.
Rostos marcados pela incerteza angustiante de quem daria algo (ou tudo) de seu para conseguir resolver o problema e devolver ao jogador de futebol a paz e a serenidade.
Em todos os telejornais a notícia permanece, entrevista-se este e mais aquele, na busca frenética de uma resposta, de uma explicação, de algo que desvaneça a incerteza cruel nas preocupadas mentes do povo...

Que país é este, senhores?
Quase apetece dizer que a crise que nos devasta é merecida.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

sábado, 14 de julho de 2012

Injúrias

"É mais glorioso e honrado fugir de uma injúria, calando, que vencê-la, retrucando".

Anónimo.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Calúnia

"Saber resistir à violência é forte, mas vulgar; saber resistir à calúnia e aos motejos é maior esforço e mais raro".

Alexandre Herculano.

sábado, 2 de junho de 2012

Insultos

"Pode-se não recordar os insultos; mas guarda-se deles um amargo de experiência, feia como uma cicatriz. E isto envelhece a alma, torna-a ruinosa e inútil".

Agustina.

sábado, 21 de abril de 2012

Agiotas modernos

"Vão-se os anéis, fiquem os dedos".


Seguindo este provérbio popular, muitos são os desesperados que sem outra fonte, visível e expectável, de rendimentos, decidem desfazer-se dos seus anéis e outras jóias.
O número de casa comerciais que compram ouro subiu em flecha, como se constata facilmente.
Antigamente havia "casas de Penhores". Hoje mudaram de nome, mas o negócio é o mesmo.
Aproveitam-se da ocasião, pagam muito menos do que o valor real, mas são salvação temporária para quem não tem outro recurso.
Quase a celebrar 38 anos do 25 de Abril, seria importante meditar neste fluxo comercial, renascido das cinzas de um tempo em que os penhores eram tidos como consequência da miséria do povo.
Quase 40 anos são passados.
É irónico. Triste. Frustrante.
Mas real.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Capital sem país...



Guimarães é uma das Capitais da Cultura, em 2012.
E os portugueses, ainda que pouco dados a estas coisas que escapam aos golos do Cristiano Ronaldo ou às cantigas do Tony Carreira, sentem uma ténue ponta de orgulho.
Só que Guimarães é uma cidade deste país que trata a Cultura como Salazar tratava a Liberdade. Isto é, trata mal, muito mal.
Sucederam-se os discursos oficiais das oficiais entidades, e quem não os conhecesse e ouvisse, sentir-se-ia Alice num país imaginado, repleto de maravilhas…
Hipocrisia de circunstância, palavras ocas num vácuo de ideias, oratória que ninguém atento aceita sem um vómito a vir à boca, tanta a desfaçatez e inutilidade das promessas à causa cultural, que vilipendiam na prática.
Guimarães é capital sem país.