quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Ano triste...

Quando Donald Trump é a "personalidade do ano"...é caso para pensar: "Que ano triste!"...

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Como hoje é o dia nacional da França, parece-me apropriado abordar aqui o que se passou no Europeu de futebol, esgotada a euforia, por vezes exagerada, dos primeiros momentos.
Ao longo dos últimos anos, ia ouvindo Ronaldo dizer que queria ganhar um título pela selecção. "Belo sonho", pensava, achando impossível a concretização do desejo.
Há meses, quando Fernando Santos espantou o país dizendo que seria campeão da Europa, sorri. "Outro sonhador", pensei para comigo.
Afinal...eu é que estava errado.
E Gedeão certo, porque, na verdade, "o sonho comanda a vida".
À medida que o campeonato ia avançando, a imprensa francesa, eufórica e sempre chauvinista, enaltecia a sua equipa, o que se compreende, mas denegrindo outras, sendo a portuguesa o alvo mais fácil. No fundo, Portugal sempre foi visto como o país das porteiras e dos pedreiros, ou seja, os baixos assalariados, sem qualificações e pretensões... Para além disso, o futebol praticado não era bonito, apesar de eficiente.
E nem mesmo alguns exemplos do passado, como a Grécia de 2004 ou a Dinamarca dos anos 90, retiravam a confiança francesa, engrandecida após a eliminação da Alemanha, campeões do mundo.
A final com Portugal seria um passeio, uma humilhação para os pedreiros e porteiras.
Não foi.
Antes pelo contrário.
E como, normalmente, quem não sabe ganhar não sabe perder, até já existem agora petições para que o jogo seja repetido...numa demonstração cabal de mesquinhez absurda, que importa não esquecer.
As porteiras portuguesas, heroínas ainda há pouco aquando dos atentados em Paris, levantaram o troféu, quais padeiras sem Aljubarrota, mas com o orgulho acicatado, e os pedreiros construíram um belo monumento à humildade e à crença, indispensáveis a quem quer triunfar.
Grande lição, mes amis!


domingo, 15 de março de 2015

sábado, 8 de setembro de 2012

Sanguessuga...

Depois de ouvir o discurso, recordei de imediato um poema lido há muito.
Ei-lo:

"Suga sangue, sanguessuga
suga sangue, mata a sede,
que o sangue também te suga,
que o sangue também tem sede.

Vais inchando, sanguessuga,
com meu sangue? Que me importa?

Conheço-te, sanguessuga!
Suga sangue, suga, suga,
que amanhã tombarás morta!

Rebentarás, sanguessuga,
como um odre, de repente?
morrerei eu de anemia?
Melodramaticamente?

Não no sei. Mas, sanguessuga,
morreremos nesse dia,
nasceremos nesse dia,
num segundo, para sempre!".

António Luis Moita, "Batalha da Sanguessuga", 1962.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Relvas de 4 cadeiras...

Em qualquer país onde a democracia o fosse verdadeiramente, um tal de Relvas, "doutor" com quatro cadeiras feitas, ter-se-ia demitido de imediato, mal se soube o escândalo que envolveu a sua "licenciatura".
Não o fez, o que agrava a desconfiança com que o olham e acrescenta descrédito a uma, já de si, desprestigiante situação.
Mas há um Primeiro-Ministro, que lhe seguiu o exemplo, e fingiu que nada se passara, mantendo o sujeito no lugar que ocupa. Isto é, à pouca ou nenhuma vergonha do ministro, somou-se a desfaçatez e arrogância de Passos Coelho.
O Presidente da República calou-se, como habitualmente.
A maioria na Assembleia da República tratou de abafar o caso, limitando-lhe as devidas consequências.
E enquanto é diariamente ridicularizado e gozado, Relvas continua impávido, operacional, a gerir o que entende e o que mais lhe convém, a transferir amigos de empresas públicas para outras, como se nada tivesse acontecido.
Passos Coelho nada faz.
Mas talvez um dia pague bem caro este seu silêncio e inércia.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Que país é este, senhores?

O jogador Cristiano Ronaldo afirma-se "triste".
E o país imobiliza-se.
A imprensa quer saber as razões da "tristeza", preocupada e alarmada. Repentinamente, o pânico instala-se, receia-se o pior, interrogam-se as consciências e o comum cidadão não sabe mesmo se contribuiu, de alguma forma, para o estado de ânimo do homem que corre e dá pontapés na bola.
Portugal treme.
"Que se passa?", pergunta o 

anónimo, sem que o outro anónimo saiba responder.
Rostos marcados pela incerteza angustiante de quem daria algo (ou tudo) de seu para conseguir resolver o problema e devolver ao jogador de futebol a paz e a serenidade.
Em todos os telejornais a notícia permanece, entrevista-se este e mais aquele, na busca frenética de uma resposta, de uma explicação, de algo que desvaneça a incerteza cruel nas preocupadas mentes do povo...

Que país é este, senhores?
Quase apetece dizer que a crise que nos devasta é merecida.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012